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MARAJOARA TEM RELAÇÃO ÍNTIMA COM O RIO

A todo momento, pequenas embarcações chegam no porto de Melgaço, a 14 horas de navio da capital paraense. Muitos ribeirinhos levam farinha para vender na cidade. Alguns não têm parentes lá e, com suas famílias, ficam no próprio barco. Manoel dos Santos, 40 anos, mora às margens do rio Acutipereira, em Portel. “São três horas de barco. Saímos quatro horas da madrugada e chegamos 7”, disse. Ele vende farinha. A produção é feita por ele e mais sete familiares. “Eu trouxe 30 fardos (sacas). Cada fardo custa R$ 60. A gente vende em Melgaço. Eu vo de oito em oito dias”, contou. 


Naquela manhã ensolarada, Manoel ficaria na cidade até uma da tarde, quando retornaria para casa. “Lá, é roça, pesca. Nasci em Melgaço. Mas, desde 2001, moro lá. É bom. Na zona rural, tem as dificuldades, mas é bacana. A dificuldade é o trabalho. Tem vezes que a pessoa não tem recurso. Tem também dificuldade de transporte, água, essas coisas. Se der problema de saúde, a gente vem para cá (Melgaço) ou Portel. Quando vem para cá é mais fácil ir para Breves (distante uma hora e meia de lancha), se o problema for grave. Daqui encaminham mais rápido do que Portel”, ponderou.

O agricultor e pintor Adanilton Neres Silva, 24 anos, sempre vende farinha em Melgaço. “Venho uma vez por mês. Às vezes, duas vezes. Moro em Anapu, rio Camuim, em Melgaço. Fica a oito horas de viagem”, contou. Ele também trabalha na produção de farinha. “Trouxemos 13 fardos (cada um com 30 quilos). Vou vender a R$ 55, R$ 60 no máximo. Chegamos na quarta (a entrevista foi feita na quinta, 21). Vamos embora na sexta”, disse. 

Ele fica no barco mesmo. Quando precisa tomar banho, vai na casa dos parentes. “Gosto de morar lá (Anapu). Tem tudo praticamente. O interior é lugar mais essencial. É farto, graças a Deus. Tranquilo também. Moramos em uma pequena vila. O colégio tem na outra unidade (comunidade). Problema de saúde tem que vir pra cidade. Ou Portel ou Melgaço. Nasci e me criei lá. É um rio tranquilo, farto, dá para sobreviver.”, contou Adanilton. Ele viajou com com a filha, Aila Vitória, que completou três anos em 19 de agosto, e a esposa, Patrícia. Bastam alguns minutos no trapiche de Melgaço, de onde se tem uma bonita visão da orla da cidade, sobretudo no amanhecer e ao entardecer, para observar o movimento frenético de embarcações. Em rabetas, muitas famílias trazem seus filhos pequenos para a cidade. Embora seja um item essencial de segurança, não se observa o uso de coletes salva-vidas em rabetas. Para os ribeirinhos, os igarapés, furos e rios são uma extensão de suas vidas. E, talvez por isso, eles acreditam que as águas já os protejam naturalmente.

PORTEL
Uma família inteira em um barco, praticamente uma casa sobre o rio, no porto de Portel, a 16 horas de navio de Belém, onde 14 pessoas, entre as quais oito crianças, deixaram sua comunidade, distante três horas de barco, às margens do rio Pacajazinho, para tentar resolver assuntos pessoais na sede do município. Eles pretendiam receber o Bolsa Família, fundamental para a sua manutenção. “Eu também queria fazer um ‘rolo’ (negócio) do meu barco em uma casa”, disse Maria Clara de Almeida Pantoja Valente. Ela afirmou que não quer mais morar no interior. No dia 21 de junho, uma quinta-feira, eles estavam no barco há três dias. 

Em certo momento da entrevista, uma criança brincava pelo lado de fora do barco, flertando com o perigo, sob risco de cair no rio. A criança se apoiava em um pneu do lado de fora do barco e nada sofreu, entrando, em seguida. Conviver com o rio faz parte da rotina das comunidades ribeirinhas, incluindo as crianças, que andam em barcos e portos como se estivessem brincando nas regiões onde moram com os pais. Mas a ida da família a Portel, pelo menos nesse primeiro momento, não foi bem sucedida. “A gente não conseguiu receber o Bolsa Família”, lamentou-se Ivonete Dias dos Santos, 28 anos. No oitavo mês de gestação, ela espera o sétimo filho. “Só vamos receber na outra segunda-feira”, completou. “Deu problema no cartão”, acrescentou o marido de Ivonete, o lavrador Benedito Moraes, 33 anos. 
A família (cunhado, nora, sogra, as crianças) dormia e fazia suas refeições no próprio barco e tomava banho no rio. Nessa hora, vão para a popa (a parte de trás) do barco, para ficar mais próximo do rio, de onde também é retirada a água para o consumo. “Não temos parentes aí pra terra”, disse Ivonete, mãe de seis filhos, o mais novo com dois anos. Recebe Bolsa Família para os seis. O programa do governo federal é fundamental para a família. Maria Clara disse que trabalha na roça, mas quer se mudar para a cidade e tentava negociar o barco por uma casa. Sobre sua idade, disse que não recordava. “Não sei. Não estou me alembrando (sic)”, despistou. “Tem na minha carteira aí”, completou. Nessa hora, alguém da família comentou: “Ela tem 60, parece”. “Não, 60 vou inteirar agora em 7 de setembro”, corrigiu.

Deslocamento à mercê das marés é o principal problema de logística
A distância é o principal obstáculo à equipe da Gerência Regional da Agência de Defesa Agropecuária do Pará (Adepará), em Breves, no Marajó. “Aqui você não tem acesso a carro. Tudo depende de lancha e barco. Isso aumenta muito o nosso custo operacional. Nossos veículos estão em ótimo estado. Recurso também veio em uma quantidade suficiente. O nosso problema é o deslocamento”, diz o gerente regional, Jamir Junior Macedo. “Pra gente, falar em três horas (de viagem) é próximo. Tem localidade que a gente atinge, durante a etapa de vacinação, que fica a seis horas de voadeira e 16 de barco, como, por exemplo, a região norte de Breves e a região de Anajás (aqui são cinco horas de voadeira)”, contou.

A regional da Adepará em Breves atua em nove municípios: Breves, Portel, Melgaço, Bagre, Curralinho, São Sebastião, Afuá, Chaves e Anajás. “Temos uma unidade estruturada em Afuá, com médico veterinário. Pra eu fazer supervisão no escritório de Afuá, eu vou para Belém, pego um avião para Macapá e vou para Afuá. Antes, tinha uma linha de monomotor, que fazia Belém-Afuá em uma hora. Mas aconteceram alguns acidentes e a linha parou, perdeu o contrato com a prefeitura”, contou Jamir. “Você está aqui em Breves. Para ir para Soure, não tem transporte, nenhuma linha. Você vai para Belém e pega uma lancha para o outro lado do Marajó, que é Soure. A logística aqui é muito difícil. Chaves é município nosso. O maior rebanho da regional fica em Chaves. Há ilhas em que você sai de barco e, para se deslocar, são 16 horas. E, para você entrar em outras comunidades mais no centro da ilha, tem que esperar a maré. Mais seis horas e, aí, você entra. Para sair, só de maré. Vamos fazer uma vacinação em Chaves? Então vamos ver a maré”, afirmou. Ao falar das distâncias, ele observou que muitos moradores de Afuá e Chaves, quando precisam de atendimento médico, por exemplo, vão para Macapá.

Nos casos de raiva humana em Melgaço, este ano, a Adepará atuou como apoio à Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa). “Quando existe um caso de raiva em bovinos, suínos e outros animais de produção, nós encabeçamos a ação. Realizamos a captura do morcego e coletamos amostra dos animais para encaminhar para o laboratório, para confirmar se é raiva. Realizamos a vacinação do rebanho. Como foram casos de raiva humana e, nessa localidade (rio Laguna, Vila Caruda), não tem animais de produção, por ser uma localidade muito remota e onde as pessoas têm renda muita baixa, entramos só com uma equipe de auxílio. Encaminhamos técnicos treinados e capacitados para realizar a captura de morcego nessa região”, explicou.

A equipe da Adepará foi para o rio Laguna desde o início dos casos de raiva humana, capturou 80 morcegos e saiu da região há mais de duas semanas. “Ficamos lá mais ou menos um mês. Quando a gente captura o morcego, a gente passa uma pasta, chamada vampiricida, na costa do morcego e solta ele. É como se fosse um veneno. Os morcegos têm o hábito de se lamber na colônia. Quando um morcego tratado com essa pasta volta para a sua colônia, os outros vão lamber e morrem. Não é vantagem a gente matar o capturado, porque só vai exterminar um. Esse morcego vai matar outros”, explicou. Jamir disse que os morcegos atacam pessoas de qualquer idade. No caso do rio Laguna, o principal alvo foram crianças. Uma explicação é que as crianças, por passarem o dia brincando, agitadas, tendem a ter o sono mais pesado. E não conseguem perceber a chegada do morcego. O ataque é noturno. Mas nem todos os morcegos estão doentes e, por isso, não transmitem a doença.

MATA
Uma provável explicação para os ataques no rio Laguna é que, lá, é mata, fechada. “Nós estamos invadindo o território deles. Algumas pessoas dizem que, lá, tem uma madeireira, que está realizando desmatamento e está mexendo no equilíbrio ambiental. Pode ter fundamento. O fato é que, por ser de mata, a população está em um ambiente dos morcegos”, disse. Fala-se que moram lá 2.500 pessoas. Mas esse número pode ser bem maior. De Melgaço para o rio Laguna, e em linha reta, são aproximadamente 70 km. Ou três horas de voadeira, uma embarcação rápida. . E, de barco, de seis a sete horas. A vila é bem carente. As casas não têm paredes e portas, o que favorece o ataque dos morcegos. “É bem complicada a realidade do local. A gente vê uma situação de pobreza mesmo”, explicou. 

Há poucos dias, a equipe da Adepará esteve em outra região de Melgaço, o rio Anapu.”Realizamos ações de captura de morcego lá. Essas ações já foram preventivas. E capturamos 48 morcegos”. Para o rio Laguna, em maio, e no ápice dos casos de raiva humana, a Adepará enviou seis técnicos. E, para o rio Anapu, dois.

Por: Dilson Pimentel (Redação Integrada ORM)
 
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