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As memórias da assombração de Josephina Conte, a 'Mulher do Táxi'

Josephina Conte, uma das "visagens" mais famosas de Belém, também chamada de "Moça do Táxi", ainda possui parentes que relembram suas histórias

Além da culinária e diversos locais que chamam a atenção de turistas do mundo todo, Belém também cultiva diversas histórias de assombrações, ou as famosas "visagens", como foram imortalizadas por Walcyr Monteiro no livro "Visagens e Assombrações de Belém".Uma das histórias mais famosas da compilação organizada por Walcyr é a "Mulher do Táxi", onde uma moça pede para ser levada de carro por diferentes pontos turísticos da cidade, e depois ser deixada em casa.Ela está sem dinheiro e diz ao taxista para voltar no dia seguinte ao endereço para receber o pagamento do pai, alegando que o passeio é seu presente de aniversário. Mas ao voltar no endereço para receber o valor, o taxista descobre que a moça está morta há anos.A personagem que inspirou a história foi Josephina Conte, que morreu aos 16 anos com tuberculose. Rita Conte é uma das parentes vivas da mulher que inspirou a história, e relembra ter passado a adolescência sempre ouvindo falar da "meia-tia" com admiração.


"A verdade é que a gente é distante mas não tanto. O meu avô, quando foi vivo, sempre deu toda a assistência do mundo para minha família. Então a primeira vez que ouvi falar da Josephina sempre foi de uma forma de comoção. Ainda não estava solidificada a história da 'moça do táxi', isso aconteceu mais próximo da década de 70. Antes disso eu só ouvia falar dela com admiração, de como ela morreu jovem e coisas do tipo", conta.

Além da culinária e diversos locais que chamam a atenção de turistas do mundo todo, Belém também cultiva diversas histórias de assombrações, ou as famosas "visagens", como foram imortalizadas por Walcyr Monteiro no livro "Visagens e Assombrações de Belém".Uma das histórias mais famosas da compilação organizada por Walcyr é a "Mulher do Táxi", onde uma moça pede para ser levada de carro por diferentes pontos turísticos da cidade, e depois ser deixada em casa.Ela está sem dinheiro e diz ao taxista para voltar no dia seguinte ao endereço para receber o pagamento do pai, alegando que o passeio é seu presente de aniversário. Mas ao voltar no endereço para receber o valor, o taxista descobre que a moça está morta há anos.A personagem que inspirou a história foi Josephina Conte, que morreu aos 16 anos com tuberculose. Rita Conte é uma das parentes vivas da mulher que inspirou a história, e relembra ter passado a adolescência sempre ouvindo falar da "meia-tia" com admiração.

Retrato de Josephina Conte, recriado por alunos de Comunicação Social em 2015 (Reprodução / YouTube)

"A verdade é que a gente é distante mas não tanto. O meu avô, quando foi vivo, sempre deu toda a assistência do mundo para minha família. Então a primeira vez que ouvi falar da Josephina sempre foi de uma forma de comoção. Ainda não estava solidificada a história da 'moça do táxi', isso aconteceu mais próximo da década de 70. Antes disso eu só ouvia falar dela com admiração, de como ela morreu jovem e coisas do tipo", conta.

Rita é "meia sobrinha" de Josephina porque, segundo ela, o avô teve duas famílias, e ela seria filha da segunda. "Meu avô tinha duas famílias: uma com a minha avó; e a outra família mais tradicional, com a mulher que era italiana, com quem ele teve cinco filhos, incluindo a Josephina", relembra."Minha avó não era a mãe da Josephina, era a outra parte da família, com quem ele teve sete filhos e registrou os sete com o nome Conte, daí a origem do nome. Na década de 30, apesar de não ser bem visto um comerciante com duas famílias, era algo aceito", conta Rita.


Mito e Devoção

Ela relembra ainda que durante sua adolescência não existia o mito da "Mulher do Táxi" de uma forma tão forte, e que não tinha consciência do que era a família, já que Josephina morreu muito jovem.

"As pessoas acreditam muito, e eu não sabia o que era de fato. Até que uma vez, quando trabalhei em uma rádio nos anos 80, um senhor ligou perguntando se o Conte do meu sobrenome tinha a ver com a família da Josephina. Ele era devoto dela, e acho que foi nesse dia que tive a noção do que era. Disse para mim mesma: 'Meu Deus! Ele é devoto', e foi me conhecer como se fosse algo de outro mundo. Disse que alcançou várias graças por conta dela", relembra.

No final de 2018, Rita teve um encontro com um outro neto de seu avô, Paulo Conte. Ele era filho de Rosário Conte, o irmão mais velho de Josephina, e veio a Belém vasculhar o apartamento de sua mãe, que foi colocado à venda posteriormente. No encontro, Rita diz que Paulo a mostrou fotos de Josephina ainda viva e outras feitas em seu velório, com a moça no caixão.

"Quando vi as fotos disse o que significava aquilo e ele não tinha noção que nossa tia e a lenda tomaram proporções inimagináveis. Fotografar morto antigamente era muito comum, e imagina importância disso hoje. Mas ele não ligou muito para a coisa da lenda e do mito. Não sei se passava longe da família ou ele não gostava", disse.

Rita conta que sua avó começou a trabalhar aos 16 anos na fábrica de sapatos do pai de Josephina. Os dois então tiveram filhos, incluindo a mãe de Rita. Ela explica que no início, quando a história da "Mulher do Táxi" começou a ficar famosa, houve também um rumor de que seu avô teria sido uma das primeiras pessoas a ter carro em Belém, o que pode ter resultado na lenda. A mãe de Rita também era a única filha mulher do casamento com avó, e conta que a relação dos dois era similar a que ele tinha com Josephina.

"Eles eram loucos um pelo outro. Minha mãe nasceu em 1934, quando a Josephina já era morta. No aniversário da minha mãe ele sempre ia até a casa da minha avó, buscava minha mãe, passeava, dava presentes e devolvia ela no final da tarde com roupas novas e sapato combinando. Isso era algo que ele também fazia com a Josephina", conta Rita. "Por isso que a história do táxi tem essa origem. Ele contava que se fosse dirigindo não teria graça porque não veria a reação dela; então eles iam em um táxi para passear de braço, como fazia com minha mãe".

O ato de afeto repetido em todos os aniversários, e que levou a criação da história da "Mulher do Táxi", segundo Rita, também se devia ao fato de o avô ser da religião espírita. "Isso fazia com que ele acreditasse que minha mãe fosse uma reencarnação da Josephina, já que ele sofreu muito com a morte dela e acreditava que por ela ter morrido muito jovem, havia morrido sem pecados", finaliza Rita. 

(Fonte: oliberal.com)

COMO O TURISMO DE BASE COMUNITÁRIA PODE TRANSFORMAR A AMAZÔNIA


Barco do Projeto Saúde & Alegria na Ponta do Icuxi, no Rio Arapiuns. Foto: Gustavo Albano
Projeto no Pará leva turistas para conhecer comunidades tradicionais da Amazônia – Por Gustavo Albano

A maior parte das atrações de todo o país envolvem diferentes parques naturais, reservas ecológicas e áreas verdes. Algumas delas habitadas por vilas de pescadores, quilombos, pequenas cidades ou comunidades. No cenário mundial, o Brasil é uma das principais potências para o ecoturismo e cada vez mais as entidades e empresas do setor pensam sobre alternativas para reduzir os impactos ambientais nessas regiões, trabalhando na preservação desses lugares com projetos que buscam um desenvolvimento mais sustentável com geração de renda para as comunidades. Que o turismo é uma das poucas indústrias que preza pela conservação de riquezas naturais e socioculturais, pois essa é base primordial do seu negócio, não é novidade. Mas qual é a real preocupação quando o assunto é a maior floresta tropical do mundo?
Praias de rio e bancos de areia formam o cenário da comunidade de Anã, no oeste do Pará. Foto: Gustavo Albano
Iniciativas inovadoras vem mudando esse quadro e aos poucos provam que esse é o melhor caminho. No oeste do Pará, com sede no município de Santarém, o Projeto Saúde & Alegria – PSA é uma instituição que desenvolve soluções criativas para promover a educação e outras mobilizações sociais em comunidades tradicionais do norte do Brasil. A ideia do projeto é implantar soluções práticas buscando o empoderamento autônomo dessas comunidades em longo prazo. Um dos programas idealizados pelo projeto em conjunto com comunidades ribeirinhas do Pará, trabalha formatos criativos de turismo de base comunitária na Amazônia. 

Produção de cestarias e artesanatos. Foto: TURIARTE / Divulgação
O programa que começou como uma ideia para gerar renda na reserva Tapajós-Arapiuns, tomou corpo com a união da comunidade como atores engajados em criar a parceria e receber os turistas em uma vivência aprofundada, mostrando um pouco da rotina e cultura ribeirinha, além de apresentar as belezas paradisíacas da reserva. Hoje, praticamente 10 anos depois, o programa funciona de maneira autônoma e é administrado inteiramente pelos comunitários da região, através de uma cooperativa que foi criada para atender esse formato de economia colaborativa.

A TURIARTE – Cooperativa de Turismo e Artesanato da Floresta funciona como um articulador direto na promoção do turismo local, trabalhando diretamente ou em conjunto com agências de viagens na elaboração de roteiros em grupos ou individuais, oferecendo um turismo de vivência em comunidades do rio Arapiuns. Até hoje o programa ainda conta com o suporte do PSA como um dos principais agentes nesse trabalho.

Anã é uma das simpáticas comunidades que fazem parte da reserva e conta com cerca de 100 famílias ribeirinhas que vivem e sobrevivem dos recursos da floresta. Como forma de gerar renda e trabalhos na região, pensando sempre em manter a floresta em pé, foi criado um roteiro turístico que proporciona uma vivência inesquecível para visitantes que querem conhecer uma comunidade tradicional da Amazônia. A viagem começa partindo de Alter do Chão, vila cercada de praias paradisíacas em Santarém. Desde 2013 o programa também disponibilizou duas pousadas comunitárias para receber esses visitantes no rio Arapiuns, que podem escolher a hospedagem na pousada ou em casa de nativos, perfeito para quem quer uma experiência diferente e um maior contato com os locais.

No turismo de base comunitária a principal atração, além das belezas naturais, é o convívio com os nativos e o intercâmbio cultural proporcionado nessa relação. Eles adoram receber os turistas e fazem tudo para que os visitantes se sintam em casa. Conversam sobre o dia a dia na comunidade, falam das curiosidades e contam histórias. São, em sua maioria, pessoas muito simples, mas cheias de afeto e ficam realmente felizes em mostrar um pouco do lugar para os forasteiros que visitam a comunidade.


Além de administrar a pousada, os próprios nativos trabalham como guias turísticos e auxiliam na recepção dos visitantes. Nesse aspecto o turismo é utilizado como uma cadeia de trabalho a mais, possibilitando maneiras sustentáveis de renda direta e indiretamente, criando perspectivas diferentes para a comunidade, sem esquecer de preservar a floresta. Outros projetos também fazem parte do programa, como a criação de peixes em tanque, produção de farinha, comercialização de artesanatos e a produção de mel da abelha sem ferrão, uma das curiosidades locais. Conheça mais desse trabalho, confira o vídeo:

O CABOCLO DA AMAZÔNIA E SUA RELIGIOSIDADE

Dispor-se a compreender a vida religiosa e o comportamento característico da catolicidade do caboclo amazônico e seus recursos mágicos em busca de sua satisfação objetiva é ter que se revestir de uma objetividade capaz de efetivamente criar todas as condições para se ingressar, de forma eficaz, nesse mundo particular. 


São idéias, impressões e concepções como a de Charles Wagley (em ?Uma comunidade amazônica: estudo do homem nos trópicos?), Arthur Cezar Ferreira Reis (na obra ?O seringal e o seringueiro?) e Eduardo Galvão (em ?Santos e visagens: um estudo da vida religiosa de Ita?) que podemos constatar conteúdos reveladores e sugestivos dessa temática fascinante e encantadora.

Esforçou-se em resgatar, revelar e publicar as contribuições, as sugestões desses pensadores e suas reflexões e tornar inteligível a essencialidade do conteúdo religioso dos habitantes da Amazônia.

Quando Eduardo Galvão elege a religiosidade do caboclo amazônico, dentre os aspectos distintivos da cultura do habitante rural da Amazônia, justifica esta escolha ?não apenas pelo que ela possa conter de local, de peculiar à Amazônia, porém pela função que representa na estrutura dessa sociedade rural? (p. 3).

Mesmo expressando um comportamento católico, o caboclo nunca se sentiu impedido de transitar pelo universo impregnado de idéias e crenças oriundas da sua ancestralidade ameríndia. Houve uma mestiçagem de crenças. Os caboclos viviam a sua catolicidade da forma que entendiam e interpretavam; uma vez que não dispunham de sacerdotes em abundância, deixaram-se todos dominarem por certas abusões e crendices. A visita do clero, ao Vale amazônico, era esporádica e dava-se durante as festas dos santos. Eram somente nestas ocasiões que os sacramentos oficiais estabelecidos podiam ser ministrados. 

É necessário considerar que apesar dos conceitos religiosos indígenas terem uma importância na configuração da religiosidade do caboclo, ?a nova cultura regional que emergiu na Amazônia, foi predominantemente orientada por idéias e por instituições lusas, modificando-se naquilo que exigiam as circunstâncias históricas e as peculiaridades do ambiente geográfico? (Galvão, p.9). 

É também interessante salientar que na Amazônia, o contato entre europeus e indígenas não proporcionou e nem significou assimilação nem adoção por parte do índio dos elementos culturais do Velho Mundo. Apesar disto, a orientação cultural, na Amazônia, foi mantida e permeada pelo padrão europeu.

O sistema religioso vigente na Amazônia teve influência decisiva tanto da estrutura básica do catolicismo ibérico do século XVI, como da articulação que se fez com o padrão indígena, transformando em sua fusão e desenvolvimento pelo contexto específico do vale amazônico. Por outras palavras, ?a dominação que exerceram colonos e missionários portugueses sobre os aborígines, deram margem ao desenvolvimento de uma cultura predominantemente ibérica de que o catolicismo era uma das principais instituições, influenciando esse processo as novas condições do ambiente, e em particular, a estrutura sócio-econômica? (Galvão, p. 10).

Não há como não se deparar com dois componentes, o ibérico e o indígena, quando se imprime um estudo do comportamento religioso do caboclo; não há como não perceber o problema do caráter do catolicismo ibérico em confronto com a cosmovisão do aborígine. 

As mudanças significativas produzidas com a penetração de agentes econômicos e sociais externos, no passado, no vale amazônico, operam ainda hoje com muito vigor na memória do amazônida, principalmente nas suas instituições religiosas. 

Segundo Galvão, nas áreas rurais amazônicas, como em todo o Brasil, ?observa-se a tendência para acentuar-se uma forma mais estrita e ortodoxa de catolicismo. (...) Crenças não católicas são degradadas e consideradas como ?superstições? das classes economicamente inferiores? (p. 10 e 11) em nome de uma religiosidade oficial hegemônica e mais influente. 

A proposta de Wagley, principalmente relacionada à possibilidade do processo gradual de transformação da magia para a ciência, esclarece determinados processos contemporâneos engendrados no conteúdo intrínseco do processo de racionalização do mundo. Ao mesmo tempo, é possível perceber a contemporaneidade das idéias, concepções, estrutura e esquema teórico publicados por Wagley, em seu trabalho.

Assim, na Amazônia, há uma combinação e uma relação entre espectros mágicos, tabus tradicionais, crença nos pajés e seus espíritos (pajeísmo) com o catolicismo popular e o culto aos santos. Esta relação não é conflituosa. É peculiar dos habitantes da Amazônia a crença em poderes sobrenaturais da floresta, do rio, as superstições, crendices e lendas.

Dependendo das circunstâncias, o homem amazônico ora recorre à ciência por uma fé aparente, ora às tradições populares e práticas de magia. Na medida em que uma falha, a outra entra em cena; revigora-se. Na medida em que uma se fragiliza e se despotencializa, a outra se torna hegemônica, prevalece sobre a outra.

Todavia, para o caboclo, de acordo com determinados tipos de condições existenciais concretas, a fé na ciência apresenta-se como recurso último no equacionamento de suas fragilidades e necessidades. 



Artigo escrito por Adelson da Costa Fernandes. Professor da Universidade Federal do Amazonas e Faculdade Boas Novas, em Manaus.

Contato: coordenador.fbn@hotmail.com

DIÁRIO DE BORDO: A ROTINA DAS COMUNIDADES DO PESQUEIRO E CÉU NA RESERVA EXTRATIVISTA MARINHA DE SOURE

Deoclécio Neves nos conta sobre sua viagem com os alunos do curso de turismo da Fapan. A qual vivenciou a rotina das comunidades do Pesqueiro e Céu na Reserva Extrativista Marinha de Soure. Venha conhecer!

“A nossa viagem começou no Porto de Icoaraci às 7h da manhã para o Porto de Camará/Salvaterra - Ilha do Marajó em um ferryboat, de lá pegamos uma Van que nos levou até a Comunidade do Pesqueiro/Soure, o trajeto é fascinante, pode-se avistar os tão famosos búfalos do Marajó, seja nas fazendas ou circulando nas ruas das cidades de Salvaterra e Soure.
Na Comunidade do Pesqueiro/Resex Mar Soure, ficamos hospedados em uma das casas de moradores locais que já recebem com frequência visitante, desfrutamos da rotina deste morador, e também saboreamos a culinária local ofertada pela Associação de Mulheres e Moradores Extrativistas da Vila do Pesqueiro – ASMMEP.







No período da tarde, conhecemos a Praia do Pesqueiro, lugar de raras belezas cênicas, onde o fluxo de marés alta e baixa é separado por intervalos de 6h aproximadamente, os ventos são constantes e tornam a temperatura agradável, já o solo é arenoso, mas em áreas que sofrem o fluxo das marés é bem firme, já nas áreas que as marés altas não alcançam a areia é fina e fofa. Nesta praia pode-se avistar revoadas de vários pássaros que habitam um mangue bem conservado com árvores que ultrapassam os 25m de altura.

À noite, foi à vez de apreciarmos a apresentação do Grupo de Carimbó da Vila do Pesqueiro, um espetáculo de música e dança que reflete todo o processo de formação do povo paraense.
Na manhã do dia seguinte, foi à vez de conhecermos a Comunidade do Céu que é vizinha a Vila do Pesqueiro, que é necessário a travessia de um pequeno rio que aparece nas marés baixas, feito em embarcações que normalmente são utilizadas para pesca artesanal. A Comunidade do Céu é composta por pescadores artesanais e extrativistas que conservam o modo de vida em equilíbrio com o ecossistema local.

A comunidade administra uma pequena pousada e restaurante que serve água de coco e culinária local a base de peixe, caranguejo e galinha caipira. A praia do Céu é bem rústica, permite banho e caminhada, proporcionando o contato com a fauna e flora local.

Dicas de viagem a Resex Mar Soure:

- Se possível, contrate o serviço de um condutor local, existem algumas programações já estruturadas em fazendas marajoaras, inclusive com degustação de queijo, sucos de frutas regionais entre outras iguarias; passeios ecológicos pelo mangue e praias (Pesqueiro, Barra Velha, Céu), os passeios ecológicos podem ser realizados com caminhadas ou com uso de bikes.

- Visite as comunidades praianas do Pesqueiro e do Céu e também ao Ateliê Art. Mangue Marajó, no bairro do Pacoval, onde se pode adquirir artesanato local (cerâmica Marajoara). Fruto de um trabalho social desenvolvido na comunidade pertencente à Resex Mar Soure, também, sempre as quartas-feiras, no fim de tarde, a comunidade promove uma rodada de carimbó ao som dos Tambores do Pacoval (é pedida uma contribuição aos visitantes como forma de manter os projetos sociais da Comunidade).


Fotos: Deoclécio Neves

Por Trayce Melo – Estagiária

PARINTINS, A magia e o colorido do bailado dos bois na Ilha Tupinambarana !!!

Realizado desde 1913, começou com a divisão interna das preferências entre a apresentação das suas duas maiores atrações: o do boi Garantido, representado pelas cores vermelho e branco, e a do Caprichoso, pelo azul e preto.  Atualmente, se destaca como o maior evento de divulgação da cultura local, atraindo mais de 100 mil turistas, brasileiros e estrangeiros.

Todos os anos, a disputa do Festival é realizada no último fim de semana do mês de junho. São três dias de disputa intensa entre os bois, enriquecida pela participação direta da comunidade. Da mesma forma que todo brasileiro tem seu time de preferência, em Parintins, localizada a aproximadamente 400 quilômetros de Manaus, todo habitante tem seu boi do coração. A disputa é no Centro Cultural Amazonino Mendes, mais conhecido como Bumbódromo de Parintins. Em formato de uma cabeça de boi estilizada, tem capacidade para 35 mil brincantes.


Transformações   

Nesta época do ano, a população da cidade entra em estado de êxtase, provocando algumas transformações. Para se ter uma ideia, as casas dos mais fanáticos apresentam bandeiras ou são pintadas de azul ou vermelho, indicando a preferência de quem mora ali. Tudo na cidade, especialmente anúncios de qualquer natureza, são publicados em duas cores. Pra se ter uma ideia, patrocinadores a exemplo do Bradesco, que tem logomarca em vermelho, no período do Festival publica logos também em azul. A Coca-Cola principal patrocinadora do evento, entrou no ritmo da Ilha e fabrica uma embalagem especial em azul e vermelho. Tudo, absolutamente tudo que for comercial, só tem aceitação se apresentado nas cores dos dois bois.
Outro detalhe é que as torcidas são colocadas em lados opostos da grande arena. Cada uma se veste nas cores do seu boi e são obrigadas a permanecer em silêncio quando o concorrente se apresenta, sob pena de perder pontos. Quem torce por um boi, não pronuncia o nome do outro, chamando-o apenas de “contrário”. Assim, mesmo com tamanho envolvimento emocional, durante a apresentação são proibidas vaias, palmas, gritos ou qualquer outra demonstração de expressão, quando o “contrário” se apresenta.


Espetáculo
Impossível não se emocionar com o Festival pelo conjunto de atrativos que oferece: desde a percepção da disputa acirrada, porém saudável entre as torcidas dos dois bois, ao espetáculo em si, resultado da apresentação do Garantido e do Caprichoso. Tudo parece mais um sonho, concretizado pela presença de nuances das cores azul e vermelho, criatividade e muita alegria.  A beleza plástica de cada detalhe parece ser única e mexe com a sensibilidade de qualquer pessoa: desde a coreografia, figurino das fantasias, às músicas compostas de arranjos com batidas fortes, capazes de sacudir os menos empolgados.
Durante as apresentações a imagem aérea do bumbódromo assemelha-se a um tapete de cor em movimento – intercalado entre azul e vermelho -  resultado das performances feitas pela plateia que também participa, junto com as gigantescas alegorias de cada boi, tecendo um cenário apoteótico. O ponto culminante é a aparição do boi ressuscitado, quando a plateia vai ao delírio. Alguns, até às lágrimas.

História
A história do Festival é vinculada a uma lenda da Região Amazônica.  Em resumo, é mais ou menos assim: mãe Catirina está grávida e deseja comer uma língua de boi. Para atender seu desejo e com medo de que sua esposa perca o filho, o esposo dela, pai Francisco, mata o boi preferido do dono da fazenda, onde trabalha. Ao descobrir, o fazendeiro manda prendê-lo e pede a um pajé para ressuscitar o boi. O boi renasce e começa a grande festa de comemoração.

Serviço
Como chegar: Por ser uma ilha – de sete mil quilômetros quadrados e cem mil habitantes- só há duas formas de chegar a Parintins: de avião depois de uma hora e meia de viagem, saindo de Manaus, ou de barco, após uma viagem que pode durar entre 8 e 24 horas. O tempo de viagem varia de 10 a 24 horas, dependendo do barco. O mais usado é um chamado "Recreio", com capacidade para 150 pessoas e 24 horas para chegar.
Ingressos: a arquibancada é grátis. São vendidos apenas cadeiras e camarotes.
Onde Ficar: Existem alguns hotéis e pousadas na Ilha, mas todos ficam lotados para a festa com pelo menos um ano de antecedência. Muitos moradores alugam quartos ou até mesmo a própria casa para os visitantes. Exemplo: uma casa de três quatros com boa localização pode custar até 10 mil pelos três dias de festa. Os quartos ficam em torno de 500,00 a diária. Também alugam apenas espaço para redes, o que pode ser negociado. Tudo é bem improvisado, o que dá um charme especial à festa. Vale a pena conhecer Parintins, o paraíso dos bois Caprichoso e Garantido

Por Susana Barros/ Fotos: João Ramid - Abrajet/PA

LENDA URBANA – OS ESPÍRITOS DOS CEMITÉRIOS INDÍGENAS

Um geólogo, meu professor, que trabalhou para a empresa estatal CPRM, narrou certa vez em sala de aula, que em uma excursão de pesquisas minerais com sua equipe, viajavam de “voadeira” subindo o rio Nhamundá, afluente do rio Amazonas, quando foram surpreendidos pela noite que caiu repentinamente como um manto escuro sobre aquela região. Sem condições de prosseguir viagem num rio cheio de corredeiras e perigoso, acamparam numa bonita ponta de praia que encontraram, onde resolveram armar suas barracas de campanha e ali pernoitaram.

Narrando sua experiência nessa viagem, contou que foi sua pior noite já vivida ao longo de seu trabalho naquela região, pois quando a escuridão caiu definitivamente, só se ouvia ruídos de miados e esturros assustadores de animais de hábitos noturnos, não sabendo se vinham da mata próxima ou do rio. Sozinho em sua barraca, não conseguiu dormir com “algo sobrenatural” que tentava lhe esganar em seu colchonete. Não conseguia se mover para se levantar nem gritar para seus colegas, se sentia como que paralisado, sua mente raciocinava, mas o corpo não respondia. Aquela sensação aterradora dava-lhe uma folga, pensava que tudo ia ficar bem, mas logo recomeçava aquele pesadelo de novo, chegou até a pegar uma arma, mas nada podia fazer com ela. Isso durou a noite toda, não o deixando dormir direito.

Ao amanhecer, com vergonha de ser chamado de medroso pelos colegas não comentou nada, tomaram café, desarmaram as barracas, embarcaram e saíram, quando a “voadeira” deu a volta naquela ponta de praia, ele viu grandes pedras e uma gruta, rodeadas de plantas estranhas, todas floridas. Pediu ao barqueiro e guia que aportasse para que ele colhesse algumas flores e mudas que achou interessante a fim de levar para sua esposa plantar em seu jardim.

Foi quando curiosamente perguntou ao guia o porquê daquele pequeno lugar ser estranho e diferente da vegetação ao redor; então foi informado pelo guia que aquele lugar que pernoitaram e onde tinha as flores, era na realidade as ruínas de um “cemitério indígena” abandonado. Ficou apavorado, jogou as flores e as mudas na água, se benzeu e pediu que saíssem o mais rápido possível daquele lugar assustador, só então contou o ocorrido da noite anterior para risos de uns e espanto de outros colegas, prometendo que nunca mais voltaria ali nem que fosse para colher diamantes…






(Fonte: noamazonaseassim.com.br)

A ORIGEM DA MARUJADA EM BRAGANÇA-PA

A Marujada,  em Bragança,  teve inicio em 1798 quando os senhores brancos atendendo ao pedido de seus escravos, permitiram a organização de uma Irmandade e a primeira festa em louvor a São Benedito. Em sinal de reconhecimento, os negros foram dançar de casa em casa para agradecer a seus benfeitores.

A Marujada é constituída na maioria por mulheres, cabendo lhes a direção e a organização. Não há número limitado de marujas, nem papéis a desempenhar. Nem uma só palavra é articulada, falada ou cantada como auto ou como argumentação. Não há dramatização de qualquer feito marítimo. A Marujada é caracterizada pela dança, cujo ritmo principal é o retumbão. A organização e a disciplina são exercidas por uma "capitoa" e uma "sub-capitoa". É a "capitoa" quem escolhe a sua substituta, nomeando a "sub-capitoa", que somente assumirá o bastão de direção por morte ou renúncia daquela.

A maruja traja saia vermelha, bem rodada, blusa de cambraia branca bordada e, sobre esta, uma faixa larga de fita vermelha de gorgorão, com uma grande rosa do mesmo material. A parte mais vistosa é o chapéu. Este, é de palha, forrado de tecido branco, com uma espécie de armação de arame onde ficam as flores feitas de penas de pato, brancas. Essas flores cobrem inteiramente o chapéu, com abas que pendem fitas largas, de cores diversas, bem compridas. A “Capitoa”, sempre a mais velha do grupo, carrega na mão um bastão dourado, o símbolo da sua autoridade. Homens e mulheres dançam sempre descalços. Os homens, músicos e acompanhantes, são dirigidos por um capitão. Eles se apresentam de calça e camisa brancas ou de cor, chapéu de folha de carnaúba revestido de pano, sendo a aba virada de um dos lados. Os instrumentos musicais são: tambor grande e pequeno, cuíca, pandeiros, rabeca, viola, cavaquinho e violino.

As apresentações são, preferentemente, no período de 25 de dezembro ao dia 6 de janeiro, do ano novo. No dia 25 as mulheres dançam com saias azuis e os homens com camisas da mesma cor. Já no dia 26, quando São Benedito é festejado, as mulheres usam as saias vermelhas, e os homens, a roupa branca. Além de Bragança a manifestação se ramificou em outros municípios vizinhos como Quatipuru, Augusto Correa, Primavera e Tracuateua.


Disponivel em: http://www.tracuateua.web44.net/braga.html

Uma curiosidade sobre a lenda do boto...

Apesar de muito popular na Amazônia, não há registro da lenda do boto antes do século XIX. E, por incrível que pareça a primeira referência escrita sobre a lenda, não foi de boto que vira homem para seduzir as mulheres, mas de uma mulher que seduz os homens. Ela foi citada por Henry Walter Bates, naturalista que viveu na Amazônia de 1848 a 1859, conforme abaixo:


Muitas histórias misteriosas são referidas acerca do boto, como é chamado o golfinho maior do Amazonas. Uma delas era de que o boto tinha o hábito de assumir a forma de uma bela mulher, com os cabelos pendentes até os joelhos, e, saindo à noite para passear nas ruas de Ega, encaminhava os moços até o rio. Se algum era bastante afoito para segui-la até a praia, ela segurava a vítima pela cintura e mergulhava nas ondas com um grito de triunfo. Nenhum animal do Amazonas é sujeito a tantas fábulas quanto o boto; é provável que isso não se originasse dos índios, mas dos colonos lusitanos.

Posteriormente, já na segunda metade do século XIX e início do século XX (período da borracha e de grande fluxo migratório), a literatura sobre o boto que vira homem para seduzir as caboclas e a engravida-las tomou forma, possivelmente não tem origem indígena, apesar de fazer parte do imaginário ribeirinho de hoje em dia. E a lenda se espalhou de tal maneira, na época da borracha, por conta dos imigrantes nordestinos que aqui chegaram ao ponto que, no Pará daquela época, qualquer criança que nascia de pai desconhecido, era logo denominada como filho de boto. É a lenda que nasce de um fato social (meio encontrado para justificar a exploração sexual da mulher), que acaba atuando no imaginário local.

NOTA: Publicado no Livro “Alter do Chão e Sairé: Contribuição para a história”, publicado pelo autor do blog em 2014.


PARAENSES TÊM O CHEIRO DE GENTE ALEGRE E CRIATIVA, DIZ PERFUMISTA

O Pará, assim como toda a Amazônia, está repleto de “cheiros vivos”, que integram a complexidade e a riqueza da biodiversidade brasileira e latina. Ativos da castanha, açaí e cupuaçu, por exemplo, são bastante utilizados para fazer cosméticos e também perfumes. Através da peculiaridade de cheiros como estes é possível definir a personalidade do povo da região.
Quem é capaz de desvendar o mistério dos cheiros é o profissional especialista em perfumes, o perfumista, profissional tão raro que, em todo o planeta, existem mais astronautas do que perfumistas. Verônica Kato, perfumista da Natura formada na Alemanha, é quem dá o parecer sobre o povo paraense: “Não há dúvida de que o povo paraense, pela sua riqueza de cheiros, é surpreendente, criativo e ousado, além de muito alegre e vibrante”, afirma Kato.
(Foto: Thais Rezende/G1 PA)
O cheiro de uma pessoa traduz muito da sua personalidade. Acreditamos que perfumes provocam sensações e despertam os sentimentos mais verdadeiros, porque falam sem palavras. Nos reconectam com a nossa essência, aquilo que é simples, autêntico e realmente importante”, explica a perfumista.
O mistério dos cheiros
A perfumaria classifica os perfumes de acordo com o percentual de essência utilizado em sua composição. Os nomes são dados obedecendo o nível de concentração da essência e o poder de fixação à pele, o que determina também o tempo de proteção.

(Foto: Thais Rezende/G1 PA)
Verônica explica em quais categorias se encaixam os cheiros típicos do Pará. “O patchouli enquadra-se na categoria dos amadeirados, que são marcantes e fortes, predominando notas quentes, como o sândalo e madeiras mais secas, como pinho, cedro e raiz de vetiver, uma erva aromática. Já a castanha, açaí e cupuaçu estão na categoria dos adocicados, que também são marcantes, combinando notas florais, frutais e cítricas”, analisa a perfumista.
Mas Kato alerta que o perfume ganha um cheiro diferente em cada pessoa. “É preciso estar atento ao fato de que uma mesma fragrância pode apresentar características distintas, dependendo da pele da pessoa. Isso acontece porque cada um de nós tem uma química própria, que interfere no perfume. Cada indivíduo possui seu próprio cheiro que varia de acordo com o tipo de pele, oleosa, seca ou normal”, diz. “De certa forma nós transpiramos o que comemos, se a alimentação for rica em pimentas ou peixes transpiraremos odores diferentes que irão compor o perfume que usamos. Por isso cada perfume tem seu próprio cheiro em cada pessoa”, completa a especialista.
Cheiros do Pará
Na maior feira livre da América Latina, o Ver-o-Peso, em Belém, há também quem entenda de cheiro. Beth Cheirosinha tem uma barraca há 46 anos, onde vende Cheiro do Pará, banho de cheiro, ervas e outros artigos da perfumaria que trazem, além do perfume, bons fluidos espirituais.
“As ervas atraem sorte, felicidade, saúde, levantam o astral, deixam a mente purificada e são muito cheirosas”, afirma Beth. Sem estudo específico para a profissão, Cheirosinha conhece o aroma de cada erva. “Para o banho de cheiro são usadas as seguintes ervas: manjericão, catinga de mulata, folha de chama, pataqueira, vin-de-cá, canela macho e abre caminhos da felicidade”, conta.
Todos os conhecimentos foram passados pela mãe de Beth, que recebeu de sua avó e assim tem sido há décadas. “Quem deu o nome das ervas foram os índios, meus avós são do interior e aprenderam com eles”, explica Beth.
No Ver-o-Peso, a garrafa de meio litro Cheiro do Pará, mistura de patchouli, pripioca, sândalo e colônia custa R$ 25 e dura aproximadamente 2 meses. Já o vidro pequeno custa R$ 4 e dura uns dois dias. “Nunca usei perfume Francês, eu só uso Cheiro do Pará e ninguém nunca reclamou, pelo contrário, só atrai”, brinca Beth Cheirosinha, se referindo aos seus amores.
O perfume ideal para o paraense
Segundo Verônica Kato, por ser uma região de clima quente e úmido, o ideal é que se opte sempre pelas fragrâncias mais leves e frescas, dando preferência para florais frescos, verdes e frutados, fougere fresco e marine, e chipre cítrico e frutado.

“Muitas empresas já apresentam a mesma fragrância com diferentes concentrações. Uma boa sugestão para os paraenses são os sprays corporais perfumados. Eles podem ser usados a qualquer hora do dia, pois completam a rotina diária de cuidados pessoais. Além de perfumar, prolongam a sensação pós-banho e mantém o cheirinho do hidrante na pele”, indica a especialista.
  “Para manter o frescor, é importante saber que o perfume é como a maquiagem e, por isso, sempre que for necessário é preciso "retocá-lo", ou seja, passar mais um pouco no decorrer do dia. Uma boa dica é quanto à hidratação da pele, quanto mais hidratada, maior o tempo de permanência desta fragrância na pele, ou seja, passar hidratante antes de se perfumar pode ajudar”, orienta Kato.
G1Pa

FARINHA: OBRIGATÓRIA NA MESA DO PARAENSE

Milhares acordam diariamente quando o sol ainda não surgiu para colher a mandioca e fabricar um alimento que é a versão salgada do açaí quando o assunto é paixão regional. O trabalho é cansativo, muitas vezes braçal para transformar a matéria prima em um produto final de qualidade indiscutível. Os produtores – em sua grande maioria ribeirinhos e comunidades agrícolas – costumam suar para finalmente chegar a um alimento amarelado e extremamente crocante. Por fim, fazem dele os seus sustentos. A farinha foi uma das grandes heranças da civilização indígena na região, iniciada há mais de três mil anos, possivelmente domesticada pelos tupis na bacia amazônica. Como os primeiros índios descobriram que o tubérculo poderia render tantos subprodutos ainda é um mistério que deve permanecer por muitos outros anos. Porém, o fato é que esta cultura tão rústica e inicialmente primitiva conquistou os colonizadores e influenciou poderosamente o que viria a ser a nossa atual sociedade. A relação do paraense com a farinha vai além da culinária e de questões econômicas. Não possui barreiras sociais e pode ser vista como a base histórica da cultura de um povo. 

No Pará, é difícil encontrar uma casa de família que não possua esse produto ou derivados dele, como bolos, doces, farinha de tapioca ou até mesmo a famosa farofa. O Estado é atualmente o maior produtor nacional dessa cultura. 
imagem da internet
Tornou-­se elemento comum da paisagem local o deslocamento de dezenas de caminhões abarrotados de farinha em direção a Belém e outros centros urbanos ou diversas sacas de diferentes tipos de farinha servindo como paisagem nas manhãs de diversas feiras livres da capital e interior do Pará. Seca, d’água, mista, tapioca. Os nomes de cada tipo se misturam aos sabores e ao gosto popular, que não deixa de apreciar essa especiaria. Já para alguns especialistas, é considerada a maior invenção do indígena brasileiro. “Produzimos em 2008 aproximadamente cinco milhões de toneladas de mandioca. Da produção total, em média 90% vai para agroindústria de farinha, o que significa um milhão de toneladas de farinha. Considerando a comercialização de 90% desse total, tanto internamente quanto para outros Estados, gerasse uma receita anual bruta de aproximadamente R$ 900 milhões. 

A farinha responde pelo maior volume de produto agrícola comercializado no estado do Pará”, disse o especialista sobre o assunto da Secretaria Estadual de Agricultura (Sagri), Ribamar Santos. Culturalmente, o produto consegue se destacar ainda mais. “É a base da alimentação de aproximadamente 32,5% da população paraense. A agroindústria da farinha gera aproximadamente 80 mil postos de trabalho por ano. Certos produtos agrícolas e extrativistas, como açaí e outras frutas, peixes e carnes têm a farinha de mandioca como complementação quase obrigatória na dieta alimentar. Ela representa o principal alimento produzido pela agricultura familiar no Pará”, explicou Ribamar Santos. Mais que um sabor, para Edivan Damasceno, de 28 anos, a farinha significa o trabalho de uma vida inteira. Há mais de dez anos ele enfrenta dois turnos para cultivar a mandioca, por influência do seu pai que também ganhou o sustento dessa forma. A família dele é apenas mais uma das 40 que recebem o ganha pão através do produto na Agroindústria Bom Jesus, situada no município de Castanhal. “Isso é uma cultura de várias gerações. 
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A farinha não é só um alimento, é a nossa vida. Mas comemos muito também, nunca falta em nossas casas. O mais importante é que é ainda a nossa renda, a nossa forma de sobreviver. Foi aquilo que meu pai me ensinou e que eu continuo levando adiante”, ressaltou em tom emocionado. Com uma realidade de vida totalmente diferente, a dentista Conceição Maria Costa tem algo em comum com o Edivan Damasceno: o amor pela farinha. “A minha família é pequena e mesmo assim lá se vão em média três quilos por mês. Na minha casa pode faltar tudo, menos uma boa farofa. A farofa é feita em grande quantidade, colocada em uma vasilha bem fechada, para mantê­ la sempre torrada. E quando ao longo dos dias acaba, imediatamente é feita uma nova porção. Sem contar quando eu viajo pra fora do Estado. Já cheguei a levar até 5kgs de farinha para os parentes paraenses que estão morando longe. E quando a mercadoria chega é uma disputa pra saber quem fica com mais”, revelou. O grandioso acompanhante Como um ator coadjuvante que de vez em quando rouba a cena, a farinha de mandioca é o acompanhamento mais do que necessário para a maioria dos principais pratos da culinária paraense. Afinal de contas, existe maniçoba e pato no tucupi sem uma farinha “da baguda” por perto? Quando o assunto é sobremesa, também não fica atrás: é mais que obrigatória no açaí, seja a farinha d’água ou a tapioca. Esta última, por sua vez, é o ingrediente principal de pudins, bolos, sorvetes, mingaus e outras delícias recheadas de açúcar. A imaginação da culinária local quando o assunto é farinha parece não acabar. 

Atualmente, ela faz partes de grandes pratos como o famoso Pirarucu de Casaca, muito degustado em Santarém. Até mesmo o famoso “churrasquinho de gato”, vendido freqüentemente nos campos de futebol, vem acompanhado da farinha. É tão paraense quanto torcer pro Remo e o Paysandu. Por que se orgulhar? A farinha é mais do que uma paixão do paladar paraense, faz parte da cultura indígena que aqui nasceu e permanece até hoje. Além disso, é o sustento de milhares de famílias do Estado, o que faz do Pará o maior produtor de mandioca do Brasil. A atividade ainda é uma das mais rentáveis do Estado, se configurando no maior volume de produto agrícola comercializado no local.

CIRANDA DO NORTE

A dança é de origem portuguesa, tendo uma forma complexa e outra simples. Dançada mais precisamente nas cidades amazonenses de Tefé e Maracapucu, em forma de cordão de pássaros, é rica em sua concepção, na qual nota-se uma variação de passos com diversificação rítmica. É dançada sempre em círculos.
Na vila de Alter-do-Chão no município de Santarém-Pará comemora-se  a louvação ao divino Espírito Santo, e tem na parte profana como ponto alto as festas realizadas no barracão, onde as principais danças da região são apresentadas como a Ciranda do Norte, que surgiu no início do Século e tem como características a mistura de vários ritmos, entre eles o xote, a valsa e outros, que fazem a dança em alguns momentos ser suave, e em outros bem acelerada, desafiando os casais a não perderem o compasso.

E apesar de ser uma dança de terreiro a Ciranda do Norte pode ser mostrada pelos casais calçados ou descalços, mas os cavalheiros deverão estar sempre com camisa de manga longa, abotoada até o pescoço, cinto e calça preta, as mulheres de vestido estampado, com laço no cabelo, onde dançavam ao som de banjo, flauta, curimbós, maracás, reco-recos e seguirão a marcação do compasso feito pelo pandeiro, violão e apito.
marcelo seixas

Artesanato Miriti

Achual, aguaje, buriti, palmeira-do-brejo, palmeira-buriti, pibâche são nomes populares da planta Mauritia flexuosa L., a palmeira de miriti utilizada no artesanato de Abaetetuba. Mas a planta, chamada pelos moradores da cidade de "abençoada árvore de miriti", tem várias outras utilidades.

O Miriti – Belo, singelo e muito representativo da realidade regional, o artesanato de miriti ou buriti faz parte da cultura e do cotidiano dos paraenses, figurando com mais intensidade em Belém, durante o Círio de Nazaré, na feira do Ver-o-Peso e nas portas do Museu Emílio Goeldi e do Bosque Rodrigues Alves. A matéria-prima do artesanato é extraída da palmeira Maurita flexuosal, conhecida vulgarmente pelo nome de miritizeiro ou buritizeiro, abundante nas matas ciliares, várzeas e margens dos igarapés da região.O vegetal tem várias utilidades: fornece palha para cobrir cabanas; broto ou grelo para produzir envira, fibra que serve para tecer maqueiras (redes artesanais), tapetes e bolsas; a tala tirada das folhas serve para fazer paneiros, tipitis, cestos, balaios e, ainda, brinquedos de formas variadas, como cobras, pombinhas, soca-socas, barcos, araras, jacarés e tatus, inclusive miniaturas diversas.

DANÇAS NO PARÁ

:: Dança do Maçarico

Essa dança é constituída de dançarinos em duplas que fazem cinco movimentos durante a Dança do Maçarico: Charola, Roca-roca, Repini-co, Maçaricado e 'Geleia de Mocotó'. Os passos variam entre lentos e ligeiros e a umbigada. As músicas que embalam os dançarinos são tocadas com a ajuda da viola, tambores, rabeca e sanfonas.


 :: Desfeitera

Essa dança é constituída de pares que dançam de forma livre e os dançarinos devem apenas passar pelo menos uma vez na frente do grupo musical. Caso a banda encerre a música no momento em que um casal estiver passando, é feita a escolha do homem ou da mulher para que declame versos. Caso ele não consiga esse feito, a pessoa será vaiada e terá que pagar uma prenda, ou seja, será 'desfeitado'.

Carimbó
O nome da dança é de origem indígena com os nomes Curi, que significa pau oco, e M'bó que significa furado. Os homens devem trajar uma calça curta no estilo pescador e uma camisa que contenha estampas. As mulheres utilizam uma saia rodada e com estampas, uma blusa, colares e flores presas aos cabelos. Os dançarinos a executam com os pés no chão.
Os homens batem palmas para as 
dançarinas e isso é o indício de que elas estão sendo chamadas para dançar também. Em forma de roda, as mulheres balançam a saia para que ela atinja a cabeça de seu parceiro. O ato é realizado no intuito de humilhar o homem para que ele saia da dança. Um dos momentos mais importantes ocorre quando cada casal vai para o centro da roda e o homem deve apanhar um lenço com a boca, que foi jogado no chão pelo seu par. Se o feito for satisfatório, ele recebe aplausos. Caso ele não consiga, a mulher joga a saia em seu rosto e ele deve sair da dança.

AS VÁRIAS UTILIDADES DO PATCHOULI


O patcholi é nativo nas Índias Orientais e Ocidentais. O nome provém da língua tamil patchai (verde) e ellai (folha).

Patchouli, patchouly, pachouli, pachuli, patechuli, patexulí ou ainda oriza no Brasil, é o nome dado tanto a um conjunto de espécies de plantas do gênero Pogostemon quanto ao óleo essencial obtido de suas folhas. Geralmente, refere-se às espécies Pogostemon cablin, muito cultivada na Indonésia, Pogostemon heyneanus ou Pogostemon patchouly, esta última designada patchuli de Java. As outras plantas do mesmo género botânico não são adequadas à produção do óleo.
O aroma do patchuli é forte e, mesmo considerado agressivo por algumas pessoas, tem sido utilizado durante séculos em perfumaria. O seu aroma é considerado relaxante por diversas pessoas.
São atribuídas várias propriedades benéficas tanto à planta quanto ao seu óleo essencial, principalmente por parte dos adeptos de medicina alternativa e ervanários.


Óleo essencial
O seu óleo essencial é produzido por destilação das folhas secas da planta, conseguindo-se, por este processo, quantidades apreciáveis de óleo.
O óleo de patchuli passou por um surto excepcional de popularidade durante a década de 60 e de 70, principalmente entre os devotos do amor livre e estilos de vida hippie. É também utilizado como condicionador de cabelo para rastas. O movimento Hare Krishna foi responsável, em grande parte, por este movimento. Acredita-se que o deus Krishna "habita" no patchuli.
Apesar da associação comum com estilos de vida alternativos, o patchuli tem uma vasta utilização na indústria moderna. Faz parte de cerca de um terço dos perfumes produzidos atualmente, sendo mais de metade no caso dos perfumes para homem. É também um importante componente do incenso produzido na Ásia Oriental, e utilizado como aroma para toalhetes de papel, detergentes de lavar a roupa e ambientadores para casa e automóveis.
A planta é uma erva arbustiva que chega a atingir cerca de 60 cm de altura. Ainda que prefira habitats quentes, evita a exposição direta à luz do sol e murcha facilmente se não receber a quantidade certa de água por dia. As sementes são muito frágeis e são facilmente destrutíveis. Pode-se propagar, contudo, por estaca (ramos cortados ganham raiz em solo úmido ou em água).



Patchuli de Java

O patchuli de Java (Pogostemon heyneanus) é uma planta abundante principalmente em Sumatra e em Java, mas também no norte e nordeste do Brasil, onde é cultivada principalmente no Maranhão e Pará e é chamada de oriza. A planta espessa chega a altura de 90 cm, tendo haste forte e folhas macias. Possui um ótimo óleo derivado das folhas colhidas na estação molhada. Está melhor adaptada a terrenos situados entre 900 e 1 800 m de altitude, embora seja cultivada sobretudo em selvas tropicais baixas. A colheita, feita à mão, decorre duas a três vezes ao ano.
No Brasil é tradicionalmente é utilizada em macerações, na lavagem de roupas e ainda em tisanas.


Fonte: Wikipedia

VOCÊ É HONESTO? BELÉM É A 2ª CIDADE MAIS HONESTA DO MUNDO

Cidade aconchegante e hospitaleira de povo humilde e trabalhador, assim é conhecida a segunda cidade mais honesta do Brasil e do mundo. Mais uma vez Belém se desataca no cenário nacional e internacional, no ano passado a revista norte americana Reader’s Digest publicou uma pesquisa que dava destaque para as 16 cidades mais honestas do mundo e na ocasião foram incluídas mais 4 cidades brasileiras. 

No parâmetro nacional São Paulo aparece em primeiro lugar como a cidade mais honesta do Brasil, seguida de perto por Belém, já no parâmetro internacional a capital paraense surge na segunda posição no ranking. Para quem já é reconhecida por sua diversidade gastronômica, pelos pontos turísticos e pelo Carimbó patrimônio cultural imaterial brasileiro, ser a segunda cidade mais honesta do mundo é motivo de orgulho para o belenense. 

Cidade quente em todos os sentidos, principalmente em relação à temperatura. Apesar dos vários problemas que uma grande capital geralmente apresenta como a violência que vez ou outra toma conta dos noticiários, dos políticos falaciosos, do desemprego e mendigos nas ruas, mesmo assim Belém tem muita coisa boa para oferecer que acabam fazendo com que essas questões percam conotação.  

De acordo com a pesquisa publicada pela revista americana, se a capital paraense fosse incluída no ranking internacional, o nível de honestidade seria igual ao de Nova York, nos Estados Unidos, e ao de Budapeste, capital da Hungria. Belém ficaria à frente inclusive de cidades europeias como Londres e Madri. No teste realizado em ambas as cidades foram perdidas propositalmente 12 carteiras, cada uma com a documentação do suposto dono, e para a surpresa de todos, 8 das 12 carteiras foram devolvidas. 

Segundo a revista, no teste feito no Brasil foram utilizadas das 72 carteiras e 54% delas foram devolvidas. Revelando um percentual maior que a média mundial, de 49%. Foram escolhidas uma cidade de cada uma das cinco regiões brasileiras: Belém (PA), na região Norte; Salvador (BA), no Nordeste; Dourados (MT), no Centro-Oeste; e Bento Gonçalves (RS), na região Sul. 

A Folha Editada abordou algumas pessoas no principal cartão postal paraense, o Ver-o-peso, e por lá os feirantes e trabalhadores não parecem acreditar muito na honestidade dos belenenses, para a operadora de caixa Gabriela de Souza, 33 anos, muitos tiram proveito da falta de atenção das pessoas e acabam levando seus objetos pessoais, inclusive ela já teve seu celular furtado na parada de ônibus. "Tinha acabado de sair do trabalho e no meio das outras pessoas na hora de subir no ônibus senti puxarem minha bolsa, só depois vi que tinham levado meu celular", diz Gabriela. 

Cidade Carteiras Devolvidas (de um total de 12) Mesmo número de: 

1ª - São Paulo (SP) 9 Mumbai (Índia)
2ª - Belém (PA)   8 Nova York (EUA)
3ª - Salvador (BA) 7 Amsterdã (Holanda)
4ª - Bento Gonçalves (RS) 6 Berlim (Alemanha)
5ª - Dourados (MS) 5 Londres (Reino Unido)
6ª - Rio de Janeiro (RJ) 4 Zurique (Suíça)

Fonte: folhaeditada.blogspot.com.br

 
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