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CERÂMICA E ARTESANATO

CERÂMICA MARACÁ

Foi Ferreira Pena, quem encontrou essa cerâmica, nas lapas de um afluente do Rio Maracá na região da Serra do Laranjal, no Amapá, em 1871. São urnas zoomorfas, antropozoomorfas e tubulares. Quase todas encontradas com ossos ou fragmentos de ossos, eram fechadas por finos cordões enfiados em orifícios, unindo o corpo da urna com a tampa. Eram lacrados por uma espécie de cimento.

Essas urnas não estavam enterradas e sim dispostas em certa ordem sobre o solo das grutas. Muitas foram destruídas pelos animais ou pelas raízes das árvores. Algumas peças apresentavam pinturas e decoração.

Ferreira Pena diz que a origem dessa cerâmica é dos Caraíbas, já Ladislau Neto diz que os Maracás são os antepassados dos Marajoaras. A cerâmica Maracá não faz parte das tradições ceramistas existentes. Ela é classificado como fase não filiada.

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CERÂMICA TAPAJÔNICA


A cultura tapajônica tem uma influência muito marcante também na reprodução de peças de cerâmica baseada em achados arqueológicos. Pode-se aqui chama-la de Cerâmica de Santarém ou cerâmica dos Tapajó. Esta cerâmica advém de uma cultura, "considerada uma das de maior distribuição na bacia amazônica e, cronologicamente, aceita como proto-histórica" (8). O grupo indígena Tapajó localizava-se na foz e ao longo do afluente da margem direita do Amazonas — o Rio Tapajós.

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Os Tapajó resistiram ao contato com os conquistadores e missionários até o século XVIII, e a sua cerâmica manteve-se preservada de qualquer aculturação ou influência européia. Frederico Barata com referência a essa não aculturação, comenta o seguinte: "Isso, que é uma das coisas que maior surpresa causam a quem estuda a arte tapajônica, demonstra a solidez da sua cultura peculiar, com valores tão definidos que nem mesmo o convívio secular com a nossa civilização a pôde desviar da linha tradicional ou de integração na sociedade e no meio próprios".
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As origens dos Tapajó são até hoje desconhecidas, pois apesar de serem contemporâneas, somente a sua cerâmica ficou para testemunhar a sua história. Berredo que manteve contato com esses indígenas em 1626, aventa a hipótese de serem oriundos das Índias Castelhanas.

A cerâmica de Santarém tem como características marcante a sua modelagem, que para alguns, é rebuscada que lembra o estilo barroco. Meggers & Evans com base nessa exuberância de adornos, a incluem na Tradição Inciso Ponteada, que tem uma posição cronológica calculada para 1.000 a 1.500 A. D. Esta tradição pelos seus vários elementos "parece resultar de influências oriundas dos altiplanos da Colômbia, difundida para o rio Orinocco até sua foz, alguns de seus tributários e, através do rio Casiquiare, alcançando o Amazonas até a sua foz, sobrevivendo na bacia amazônica até o tempo da conquista" (9).

Frederico Barata nos dá uma interessante descrição interpretativa da cerâmica dos Tapajó: "A louça santarenense é um verdadeiro museu de zoologia. O índio amazônico antes do contato com o branco, quase nunca se inspirava na natureza vegetal. Era como se ela não existisse. Nunca se aproveitou, para sua arte, da estilização de uma flor, de uma folha, de uma árvore, e raramente a forma de um fruto. Tudo para êle, era zoomorfo ou antropomorfo. Nesse jardim zoológico, que é uma cerâmica tapajó — verdadeiro catálogo da fauna regional, como tão bem a definiu Linné — todos os bichos estão representados... Nas suas esculturas ou modelagem antropomorfas os ceramistas de Santarém se destacam dos demais. Mas sobretudo, os Tapajó eram escultores animalistas, pois realmente admiráveis são as cabeças de bichos que modelavam para ornamentação dos vasos, as vezes com alto sentido realístico, observando fielmente a natureza, e outras com liberdades interpretativas, produzindo complicadas e belas estilizações"(5).

Na cerâmica de Santarém encontra-se uma peculiaridade: a não existência de urnas funerárias, pois os Tapajó não enterravam os seus mortos; os ossos que depois restavam dos cadáveres, eram moídos e colocados no vinho, sendo bebido pelos familiares do morto e o resto da tribo.

CERÂMICA E ARTESANATO DA AMAZÔNIA

Imagens humanas - ESTATUETAS


Caracterizadas por seus atributos femininos, como seios, triângulos ou retângulos pubianos e pela diversidade de decoração, de tamanho e de forma, alguns exemplares das efígies Marajoara apresentam forma fálica, obtendo uma espécie de síntese entre as características dos sexos feminino e masculino num mesmo objeto. Muitas delas também parecem ter sido usadas como instrumentos musicais como “maracás”, provavelmente em rituais, pois são ocas e possuem pedrinhas em seu interior produzindo sons, quando sacudidas (SCHAAN, 2001).
As estatuetas reproduzem as formas humanas de maneira estilizada e despertam interesses sobre a sua finalidade. Por serem sempre encontradas em aterros-cemitérios, pode-se inferir que estas teriam uma função cerimonial. Segundo Schaan (2005), às imagens portáteis são atribuídas funções de veículos para a encarnação de espíritos durante cerimônias.
A postura das estatuetas Marajoara, quase sempre acocorada, sugere à posição de parto das índias das sociedades amazônicas (BARRETO, 2004).

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Estatueta antropomorfa com motivo decorativo em pintura vermelha e preta sobre branco. Desenhos que sugerem serpentes em volta do corpo e olhos em formato de escorpião. O suporte tem formato falomorfo e indicações de atributos femininos, seios e região pubiana em destaque.
Medidas: Altura: 21,5 cm Largura: 13,1 cm Profundidade: 9,1 cm

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Estatueta antropomorfa. Decoração em excisões sobre vermelho. Relevo em
formato de olhos, boca e nariz. Medidas: Altura: 14 cm de altura
Largura: 8,5 cm - Diâmetro Boca: 3,5 cm Base: 5,5 cm

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Estatueta antropomorfa. Decoração em excisões sobre vermelho. Relevo em formato de olhos, boca e nariz. Medidas: Altura: 14 cm de altura Largura: 8,5 cm
Diâmetro Boca: 3,5 cm Base: 5,5 cm

Utensílios para festas

Vários utensílios com formas utilitárias são objetos cerâmicos com elaborada decoração que costumavam ser usados em funerais e em ritos de passagem pela sociedade Marajoara. Pratos, tigelas e vasos têm seu uso associado ao preparo dos alimentos, e para servi-los durante cerimônias. A grande quantidade desses objetos encontrada em sítios arqueológicos, sugere que as festas congregavam um grande número de pessoas, possivelmente oriundas de outros lugares.

Os inaladores são manifestações da sociedade Marajoara que podem estar relacionadas ao uso do tabaco ou de substâncias alucinógenas usadas durante as festas.
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Prato com dois motivos decorativos na parte interna em vermelho sobre branco e apêndice.
Medidas: Altura: 4 cm Diâmetro 19,5 cm
Alguidar com motivo vermelho sobre engobo branco na parte interna e externa.
Altura: 6,5 cm Borda: 28,5 cm


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Tigela com motivo decorativo em preto sobre branco na parte interna e na borda externa. Na base externa vermelho sobre branco. Medidas: Altura: 11,8 cm Diâmetro Borda: 26,6 cm
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Arte Marajoara/ Cerâmica Marajoara 

A Cerâmica Marajoara tem origem com os índios da Ilha de Marajó é considerada a mais antiga arte cerâmica do Brasil e uma das mais antigas das Américas.
Marajó é a maior ilha fluvial do mundo, cercada pelos rios Amazonas e Tocantins, e pelo Oceano Atlântico. Localiza-se no estado do Pará-PA, região norte do Brasil. Os índios da ilha do Marajó faziam peças modelando o barro manualmente, com a técnica das cobrinhas, sem o uso de torno de oleiros. Faziam peças como : vasilhas, potes, urnas funerárias, apitos, chocalhos, machados, bonecas de criança, cachimbos, estatuetas, porta-veneno para as flechas, tangas (tapa-sexo usado para cobrir as genitália das moças) – talvez as únicas, não só na América mas em todo o mundo, feitas de cerâmica. Para aumentar a resistência do barro eram misturadas substâncias-minerais ou vegetais: cinzas de cascas de árvores e de ossos, pó de pedra e concha e o cauixi, uma esponja que recobre a raiz de árvores.
As peças eram depois de queimadas, em fornos de buraco ou em fogueira a céu aberto, recebiam uma espécie de verniz obtido do breu do jutaí, material que dava um acabamento lustroso as peças produzidas.
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A coloração era obtida com o uso do barro em estado líquido e com pigmentos de origem vegetal. Para o tom vermelho usavam o urucum, para o branco o caulim, para o preto o jenipapo, além do carvão e da fuligem.

A cerâmica marajoara pode ser conhecida por meio das grandes coleções do Museu Emílio Goeldi, em Belém; Museu Nacional, no Rio de Janeiro; Museu de Arqueologia e Etnologia da Universidade de São Paulo - MAE/USP, em São Paulo; além de museus fora do Brasil, como o American Museum of Natural History, em Nova York, e o Barbier - Mueller, em Genebra.

Hoje em dia o mais importante centro produtor e divulgador da cerâmica marajoara e indígena no estado do Pará encontra-se em Icoaraci, no bairro do Paracuri, onde se concentram cerca de 90% da comunidade de ceramistas. São inúmeras oficinas e olarias, alinhadas uma ao lado da outra, por toda a extensão do bairro. No distrito e arredores existem grandes quantidades e variedades de argila em cores e texturas diferenciadas, o que provavelmente, explica a milenar tradição da cerâmica local. Uma tradição que, aliás, se reporta, em alguns aspectos, à cultura indígena, que, na origem, se transmitia de mãe para filha e, contemporaneamente, é passada de pai para filho.
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Os artesãos usam o barro colhido nas margens dos igarapés da região, modelam à mão ou em tornos de pé, e queimam em rústicos fornos a lenha.

Em Icoaraci existem dezenas de artesões fabricando peças que são vendidas para o mercado interno e externo. Um dos principais locais de comercialização da cerâmica marajoara é a COARTI- Cooperativa dos Artesãos de Icoaraci, localizada na rua Padre Júlio Maria, próximo à Praça da Matriz. Em Belém podem ser encontradas em diversas lojas da Av Pres Vargas. Pela internet podem ser adquiridas peças através do site: http://www.icoaraci.com.br.

A CERÂMICA
É na cerâmica que se encontra o maior tesouro da cultura amazônica. em seus traços a herança de toda uma civilização e hoje é admirada nos quatro cantos do mundo. Os estilos podem ser variados; marajoara, maracá, tapajônico, paracuri, mas a beleza é única. Não perca a oportunidade de visitar uma olaria e ver de perto o magnífico trabalho destes artesãos.
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O processo começa com a retirada do barro cru, encontrado nos mangues. Os "tiradores" de barro, como são chamados, utilizam pequenos barcos feitos de tronco para o transporte da matéria-prima até os pequenos armazéns nas margens dos igarapés. Lá é feita a primeira limpeza e o beneficiamento. O barro é vendido em bolas, de peso mais ou menos uniforme. Começa, então, o trabalho do artesão propriamente dito. Assim que chega na olaria a argila é limpa novamente com fios de cobre. Depois é amassada manualmente até que se obtenha uma consistência uniforme na massa. Só depois de um paciente trabalho de preparação é que o artesão põe sua "távola" giratória para funcionar. Este é um dos mais importantes instrumentos do ceramista. É aí que o artesão começa a dar forma às peças.
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Algumas exigem emendas, devido à sua forma. Outras trazem figuras em relevo que são moldadas isoladamente e depois unidas ao conjunto ainda úmido. Já em sua forma definitiva, a peça sofre um processo de pré-endurecimento, com a secagem natural. Nessa fase a peça é tingida com uma mistura de corantes naturais, de um vermelho "piçarra" ou bege bem claro. Algumas são deixadas na cor natural do barro. Depois disso a peça é polida com uma semente para ganhar brilho natural. Sobre essa base é feito o trabalho de gravação, com estiletes ou desenho com pincel. Os motivos são os mais diversos. Vale destacar que grande parte desta produção é representada por cópias fiéis de importantes originais da cerâmica marajoara ou tapajônica, que fazem parte do acervo do Museu Paraense Emílio Goeldi, em Belém. Depois do processo natural de envelhecimento algumas peças parecem autênticos achados arqueológicos. Em seguida o cozimento é feito em rústicos fornos de barro, onde as peças são colocadas sobre um estrado e cobertas com pedaços imprestáveis de outras peças quebradas. Com isso se obtém a vedação térmica desejada. Só depois de todo esse processo é que a peça está pronta para a venda.

CERÂMICA E ARTESANATO

A cultura material como patrimônio da sociedade

Os objetos de uma coleção científica, no caso a Coleção Marajoara do Museu Paraense Emílio Goeldi, devem ser compreendidos como artefato-documento dessa cultura indígena e, consequentemente, como patrimônio cultural a partir de sua musealização. Esse procedimento possibilita a percepção desses bens como herança, tendo como ponto de partida sua preservação e exposição ao público, como forma de comunicação e interação entre o passado e o presente.
Desse modo, esses bens estarão sendo partilhados e contribuirão para a formação de conceitos e percepções individuais acerca da relação passado-presente, mesmo sob concepções museológicas permeadas de preconceitos, simbologias e de contrastes, como a mistura de peças antigas com o aparato tecnológico disponível.
A arqueologia Pré-Histórica tem como fonte de pesquisa os artefatos produzidos por grupos sociais não mais existentes. A divulgação da cultura material para a sociedade é uma necessidade premente, pois os sítios arqueológicos estão constantemente ameaçados de destruição, pelos mais diversos motivos, entre os quais o turismo desordenado e a implantação de empreendimentos com interesse financeiro por parte de empresas e até mesmo do próprio Estado. Nesse sentido, o contato com os objetos poderá despertar no cidadão comum o interesse pela preservação dos sítios, levando-os a perceber a arqueologia como uma ciência relevante para as suas vidasA identificação do paraense com a cerâmica marajoara

Herdeiro dos estilos cerâmicos das culturas arqueológicas marajoara e tapajônica, o povo paraense tem uma predileção ao motivo decorativo marajoara. Essa apropriação pode ser percebida pela produção crescente de artesanato de Icoaraci, distrito próximo à cidade de Belém, reconhecido, tanto no Brasil, como no exterior, como polo de referência na reprodução de peças² com inspiração em motivos da cultura marajoara.
No Pará, além de Icoaraci, existem mais dois importantes polos produção de cerâmica artesanal, representados pelos municípios de Santarém e Ponta de Pedras. Porém, o distrito de Icoaraci destaca-se pela quantidade e qualidade de produtos.
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A inclusão da iconografia marajoara

A produção de cerâmica em Icoaraci teve início no final do século XIX com a produção artesanal de peças de uso cotidiano, como vasos alguidares e panelas feitas de barro. Esse processo de confecção das peças é devido, entre outros fatores, à abundância do barro encontrado na região.
A partir da década de 1950, surge a cerâmica decorada, feita pelo artesão Antonio Farias Vieira, com inspiração em uma fotografia de um vaso marajoara. Outro marco importante para o aparecimento da cerâmica considerada artística foi a dedicação de Raimundo Saraiva Cardoso, artesão mais conhecido como “Mestre Cardoso”, responsável pela introdução definitiva desse estilo no artesanato de Icoaraci. O interesse de Mestre Cardoso por esse motivo decorativo se deu durante uma visita ao Museu Paraense Emílio Goeldi nos idos de 1968. Seu interesse foi apoiado por Conceição Gentil e Mário Simões, pesquisadores da área de arqueologia do MPEG, que permitiram seu livre acesso à Reserva Técnica para conhecer o acervo arqueológico da instituição. Desde então, surgiu uma colaboração que perdura até hoje entre o MPEG e os artesãos de Icoaraci (COIROLO, 2005). A colaboração se faz por meio de treinamento em contato com as peças originais, para o aprimoramento da arte de elaborar artesanato, com o objetivo de proporcionar“ [...] o bem estar da população e o fortalecimento de nossa identidade cultural.” (RODRIGUES, 1999, p.10). A busca por essa identificação pode ser considerada uma forma de resgatar e preservar o passado, perante a influência de agentes externos devido à nossa exposição ao mundo. O motivo marajoara pode ser entendido como o referente que identifica o paraense como o “detentor” da cultura marajoara e como ícone unificador dessa sociedade.
O museu que não se vê

As reservas técnicas são guardiães de coleções que fazem parte do acervo de um museu, preciosos depósitos de memória, material impregnado de informações que esperam por uma interpretação acurada, capaz de resgatar os pedaços de uma história perdida.
O início do recolhimento de objetos materiais das culturas indígenas deu-se com a descoberta do Novo Mundo (RIBEIRO; VAN VELTHEM, 1992). Os artefatos eram levados para a Europa por viajantes e naturalistas europeus, a partir da segunda metade do século XVIII até fins do século XIX, principalmente franceses e alemães, que visitavam o Brasil para coletar plantas, animais e artefatos e transportá-los para os seus países. Os naturalistas e viajantes foram os principais responsáveis pela construção de uma interpretação do país, de acordo com a percepção dos lugares visitados, o que garantia a veracidade de suas narrativas. Na Europa, esses artefatos passaram a fazer parte dos “gabinetes de curiosidades”, precursores dos atuais museus. Os objetos eram apreciados pelo seu exotismo e pelo caráter único dos materiais que os constituíam.

No final do século XIX, a tarefa de coletar passou a ter um outro enfoque por parte dos viajantes; a preocupação voltou-se para as informações contidas nesses artefatos quanto à origem e à evolução do homem (RIBEIRO; VAN VELTHEM, 1992). Os valores atribuídos aos objetos era o de testemunhar a condição primitiva e inferior da cultura americana em relação à europeia. Desde então, os objetos de um museu, principalmente os etnográficos, passaram a ter um valor não só de contemplação mas também de evidências para compreender o universo cultural de sociedades.
A coleção marajoara

A coleção de cerâmica marajoara que está sob a responsabilidade do Museu Goeldi é composta de objetos de cerâmica manufaturados por grupos indígenas que habitaram a região amazônica desde aproximadamente 500 AD. De acordo com as análises da cerâmica, esses povos foram divididos em cinco fases arqueológicas. A fase marajoara é a quarta na sequência da ocupação da ilha de Marajó e considerada pelos pesquisadores Betty Meggers e Clifford Evans (1957) como a mais evoluída.
Composta de vários objetos classificados por formas e técnicas decorativas, a coleção destaca-se pelos vasos, estatuetas, pratos, tangas, inaladores, urnas, bancos, tigelas, vasilhas, entre outros. As técnicas decorativas usadas são a pintura, incisão, excisão e modelagem A coleção marajoara sob a guarda do Museu Goeldi é formada por mais de 2.000 peças entre inteiras, semi-inteiras e fragmentos. Essa coleção é formada a partir do resultado de pesquisas científicas, comodato e doações.
Escolhida para ser objeto do estudo cujos resultados são apresentados nessa obra não só pela sua exuberância estética, como também pela importância que representa para o conhecimento da história de populações amazônicas antigas, a cerâmica marajoara está associada à cultura do povo paraense. Isto pode ser verificado por meio de impressos de divulgação do estado do Pará, de passeios públicos da cidade de Belém e artesanato que reproduzem desenhos e formas marajoaras, que remetem aos antepassados.
A seleção das peças que fazem parte do catálogo foi tarefa difícil, pois a cada olhar me deparava com formas e desenhos diferentes que expressavam significados os mais distintos. Como critério para a seleção, procurei objetos que fossem representativos da diversidade de formas e decorações. Dessa maneira, selecionei 106 peças a serem fotografadas. A partir dessas fotos, escolhi 53 para serem editadas e fazerem parte do catálogo “Cerâmica Marajoara: a comunicação do silêncio”. Vale ressaltar que a identificação das peças é a mesma do Banco de Dados da Reserva Técnica Mário Ferreira
Simões, do Museu Paraense Emílio Goeldi.
Posso afirmar que a divulgação desses objetos é mais uma aliada na conscientização para a preservação desse patrimônio, e permitirá entender a história do passado a partir de uma outra perspectiva e da expressão de significados pelos atores da história de forma a apreender o momento a partir daquilo que os atores de então conseguem relatar por meio da cultura material.
Espero que essa forma de divulgar a cultura marajoara ajude a sensibilizar a população, no sentido de fazê-la compreender a importância desse acervo para a preservação do patrimônio cultural brasileiro.
Os tesouros preservados

O naturalista mineiro Domingos Soares Ferreira Penna foi o pioneiro nas pesquisas sobre cerâmica e outros vestígios materiais dos primeiros grupos humanos que viveram na Amazônia. O naturalista foi também o primeiro a contribuir para a formação do acervo arqueológico do Museu Paraense durante suas viagens de exploração na Ilha de Marajó, nos rios Tocantins, Amazonas, Xingu, Maracá³ e no litoral do Pará, que transcorreram na década de 70 do século XIX (BARRETO, 1992).
Na Reserva Técnica “Mário Ferreira Simões”, os objetos são identificados e organizados, proporcionando condições de segurança, estudo, acondicionamento do acervo para posterior exibição em mostras pelo mundo afora. Como já foi dito anteriormente,

a Reserva Técnica reúne 110.800 itens inteiros, fragmentos de cerâmica, artefatos líticos e outras evidências materiais procedentes de quase todos os estados da Amazônia Legal.
A existência de coleções de arqueologia, etnografia, botânica, zoologia, linguística e de livros raros atribui ao MPEG uma grande importância cultural, derivada da significação coletiva e individual atribuída aos objetos pela sociedade produtora. Dessa forma, tais coleções permitem que o Museu Goeldi seja um lugar onde a sociedade tenha acesso aos artefatos relacionados com a sua própria história. Por isso é importante ressaltar a divulgação do acervo como fonte de conhecimento a serviço da sociedade.
A presença feminina - TANGAS

As tangas da cerâmica marajoara, juntamente com as urnas funerárias e as estatuetas com atributos femininos, são evidências arqueológicas repletas de significados que podem levar pesquisadores a inferir sobre a participação feminina na sociedade marajoara.
Também conhecidas como “tapa-sexo”, as tangas apresentam forma triangular, côncavas, feitas em cerâmica, com furos nas extremidades por onde passavam cordões para serem ajustadas junto ao corpo de mulheres.
Usadas em cerimônias e também como vestimenta, as tangas encontradas em aterros-cemitérios, apresentam formato anatômico e diversos tamanhos o que leva a crer que eram feitas sob medida. As tangas de cor vermelha, simples, seriam usadas por mulheres mais velhas ou casadas e as decoradas por mulheres mais jovens provavelmente em rituais de puberdade (SCHAAN, 2005).
Em carta enviada para Ladislau Netto, diretor do Museu Nacional, sobre os achados arqueológicos da Ilha de Marajó, Domingos Soares Ferreira Penna (1879), diz que a verdadeira denominação de tanga seria Babal, designação empregada pelos Aruans ao objeto que na sua língua sugere a ideia de avental.
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Tanga com motivo decorativo em vermelho sobre branco. Na parte superior destacam-se duas faixas com decorações diferentes. Medidas: Comprimento: 11,5 cm Largura: 13,8 cm Espessura: 0,8 cm

URNAS FUNERÁRIAS
As cerimônias fúnebres eram ocasiões propícias para expressar mitos e crenças e também para demonstração de poder. A decoração mais elaborada da urna funerária demonstrava que o morto ocupava um lugar de destaque naquela sociedade.
Além das antropomorfas com traços femininos, também são encontradas urnas com desenhos que podem representar animais, ou de forma híbrida, humano e animal. Independente do sexo do indivíduo depositado na urna, a decoração encontrada é de representação referente ao sexo feminino.
Para fazer o enterramento de seus mortos o povo Marajoara descarnificava os corpos. Somente os ossos, limpos e pintados de vermelho, eram depositados nas urnas, pois eles acreditavam que os ossos constituíam o depósito da alma e as urnas seriam o meio para a passagem a uma outra vida. Junto aos ossos também são encontrados objetos de uso pessoal como bancos, tangas, pingentes e colares.
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Urna com motivo decorativo inciso sobre engobo branco, com retoques de pintura vermelha.
Medidas: Altura: 41 cm - Diâmetro Bojo: 35 cm Boca: 32 cm

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Urna com motivo pintado em vermelho e preto sobre branco com apliques em relevo de boca, nariz e olhos. Medidas: Altura: 34 cm - Diâmetro Bojo: 32 cm
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CERÂMICA MARAJOARA

É a quarta fase arqueológica da Ilha do Marajó. Segundo Heloisa Alberto Torres, a cerâmica Marajoara evoluiu na própria região e tem como origem a arte da cestaria com seus lindos traçados. É também considerada como a fase de maior desenvolvimento, onde encontramos as cerâmicas mais belas e decoradas. Faz parte da tradição policrônica (conjunto de várias cores). Foi uma Fase exuberante com variedades de decoração. Utilizavam sempre as cores preta e vermelho sobre o branco. Os Mounds ou cemitérios arqueológicos da cerâmica Marajoara, estão localizados, nos campos da metade oriental do Marajó, tendo o lago Ariri como centro. Existe uma variedade muito grande de peças, citaremos algumas urnas: zoomorfas, antropomorfas e antropozoomorfas, para sepultamentos secundários; igaçabas para guardar alimentos e água; tangas, peças ritualísticas, estatuetas, etc.
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Argilas

O barro toma a forma que você quiser você nem sabe que estar fazendo apenas o que o barro quer (Paulo Leminski)
Segundo Bernard Leach, em seu Manual do Ceramista: “Determinadas terras e rochas pulverizadas formam, quando combinadas com água uma massa suficientemente homogênea com a qual poderemos modelar formas chamadas de “biscoitos” ou “peças verdes”, que endurecerão pela ação do fogo, se transformando no produto chamado cerâmica”.
E ele diz em seguida: “A argila é o resultado da decomposição dos feldspatos” o que concorda com outras definições, o que acontece é a decomposição de rochas graníticas em combinação com outras impurezas, e cujas partículas deverão ser muito finas, o que lhe conferirá a característica de plasticidade necessária para a modelagem de formas quando se junta a água necessária. A fórmula química da argila pura é Al2O3 -2SiO2 -2H2O.
Existem muitas formas de classificar a argila: segundo sua origem: primárias ou secundárias; segundo sua plasticidade, em gordas ou magras; podemos também falar em argilas refratárias, argilas de cerâmica compacta, argilas de bola, e outras.
Em particular usamos esse termo como sinônimo de barro ou massa cerâmica.
Obtemos Argilas Coloridas pela adição de óxidos ou corantes, ou ainda de engobes de cores fortes (preferencialmente utilizados em consistência bem grossa e feitos da mesma argila que se deseja colorir). As duas primeiras maneiras são as adotadas com mais freqϋência, por implicar em menor adição de água.
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Da argila à sala de estar

Com a qualidade dos produtos certificada, fica mais fácil para as empresas paraenses ganharem o mercado e conquistarem os consumidores mais exigentes. Foi o que aconteceu com a fábrica Cerâmica Vermelha Indústria e Comércio Ltda, localizada no município de Inhangapi, nordeste do Estado. Há um ano e meio, as peças de cerâmica, como tijolos e blocos estruturais, fabricados por lá passam semanalmente pelo controle de qualidade no Laboratório de Cerâmica Vermelha. ‘O laboratório veio nos apoiar de diversas formas para fazermos os ensaios de qualidade dos produtos exigidos pelos compradores e consumidores. Antes, nós tinhamos que enviar lotes de 20 blocos para o Estado do Piauí, que só depois emitia um laudo de qualidade, então, perdiamos tempo e dinheiro. Já com o laboratório aqui, as coisas ficaram mais fáceis e temos menos custo de logística’, explica Thiago Cavalcante, gerente da empresa. Há mais de 15 anos no mercado, a fábrica produz e comercializa os produtos para clientes e empresas de construção civil, tendo obtido duas certificações de qualidade exigidas pelo mercado. ‘Com isso estamos respaldados para mostrar para o cliente, por exemplo, que o meu tijolo oferece resistência para a obra dele. Isso porque o laboratório é totalmente imparcial nas análises e sem o Senai não teríamos como fazer isso’, completa.
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 Para Thiago, a indústria da cerâmica no Pará também está vivendo um bom momento no setor da construção civil. Mesmo com esse cenário positivo, ele acredita que outras iniciativas poderiam alavancar ainda mais o setor. ‘No meu ponto de vista, o mercado de cerâmica no Pará sempre foi muito aquecido, mas falta uma maior visão industrial porque nós oferecemos excelentes produtos por aqui. As coisas precisam ganhar mais força nesse sentido. Precisamos destacar a qualidade dos nossos produtos por meio de um marketing educativo, por exemplo’, opina.

Com o objetivo de cumprir todas as condicionantes das práticas sustentáveis, visando reduzir os impactos ambientais e sociais da produção de cerâmica, as empresas paraenses foram orientadas a adotar a ‘Cartilha Ambiental – Cerâmica Vermelha’, lançada durante o Encontro Nacional em Belém. Mesmo antes das recomendações, a maioria das indústrias instaladas no Pará já adotava a ideia. ‘A prática sustentável na indústria é uma questão importante. Na empresa que administro, por exemplo, isso já faz parte da concepção da fábrica. Temos as licenças da Sema (Secretaria de Estado de Meio Ambiente) e do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) para retirar a argila de um terreno que fica a uma distância de 10 quilômetros da nossa fábrica. Além disso, em nossa linha de produção, nós reprocessamos toda a matéria-prima para evitar o disperdício. São práticas sustentáveis de muitas empresas’, explica Thiago.

Assinando 13 projetos de imóveis em Paragominas, nordeste paraense, o arquiteto paraense Lucas Camisão explicou ao ORM News que sempre utiliza tijolos e telhas feitos de cerâmica vermelha em suas criações. Segundo ele, além da boa qualidade do material, os produtos são mais econômicos para os clientes e trazem benefícios para as edificações.
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A utilização das telhas e tijolos desse tipo ajudam na acústica da residência e, principalmente, esses materiais têm uma função térmica no ambiente, entre outras vantagens. Porque a telha e o tijolo absorvem o calor e não deixam o ambiente ficar quente. Sempre ponho esse tipo de material em meus projetos porque também confere um charme único’, explica ele, ressaltando que 90% das casas do município de Paragominas utilizam as peças devido ao clima quente da região. ‘Sem esquecer que o material também facilita a execução das instalações hidro-sanitárias e elétricas no projeto, no caso de blocos especiais (aqueles que apresentam espaços pré-definidos para as instalações)’, finaliza.

Laboratório garante qualidade no setor

Apesar dos números positivos na economia paraense, o Sistema Fiepa, por meio do Senai-Pa (Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial), quer fomentar e desenvolver ainda mais as ações no setor da cerâmica paraense. Por isso, em 2011, a instituição criou o Laboratório de Cerâmica Vermelha no município de São Miguel do Guamá, nordeste paraense. O laboratório é o único da região Norte do Brasil e atende empresas do oeste, sul e nordeste do Pará, como o próprio município de São Miguel do Guamá, que desponta como um dos principais polos produtores de cerâmica na região Norte. O município concentra 49 indústrias, sendo responsável pela produção de 50 milhões de peças de cerâmica por mês. O objetivo do laboratório, que fica dentro da unidade do Senai, é ajudar as empresas na certificação da qualidade dos produtos – da matéria-prima até dimensões das peças produzidas – fazendo com que o fabricante garanta um produto melhor e tenha maior controle no processo de produção, seguindo as normas estabelecidas pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas).
‘O laboratório é o único do Norte e foi criado por meio de uma parceria com o Sindicato das Indústrias Cerâmicas de São Miguel do Guamá. Os trabalhadores vieram até o Senai e sentiram a necessidade de melhorar a atividade cerâmica por lá. A união dos trabalhadores foi tão forte que eles cederam o local onde a unidade foi construída e também ergueram as primeiras paredes da obra’, destaca Dário Lemos, diretor regional em exercício do Senai-Pa. A criação do laboratório foi apenas um dos investimentos do órgão na região, já que a unidade também disponibiliza cursos de informática, mecânica e construção civil para os moradores. ‘Não só a indústria cerâmica foi beneficiada com isso, mas outros setores econômicos também’, completa o diretor.
Atualmente, 46 indústrias de cerâmica já testam seus produtos acabados como telhas, tijolos e tubos no laboratório. O Senai entra em contato com essas empresas e as mesmas enviam a demanda para o laboratório, que realiza os testes sob o mais rigoroso sigilo. ‘Desde a criação do laboratório, mais de 40 empresas já aderiram à certificação do PSQ (Programa Setorial de Qualidade), que tem por objetivo melhorar as indústrias e divulgar as empresas que estão produzindo seguindo as normas da ABNT’, conta. O município de Santarém, no oeste paraense, também deve receber em outubro deste ano outro laboratório de cerâmica vermelha do Senai, com equipamentos ainda mais modernos. A ideia também é potencializar o crescimento do setor na região, que conta com mais de 40 indústrias de cerâmica cadastradas na Fiepa. ‘A exemplo do que aconteceu em São Miguel do Guamá, em Santarém esperamos os mesmos resultados. Todas as empresas vão ser beneficiadas e devem oferecer produtos com mais qualidade para o mercado. Esse é o papel do Senai na contribuição para o desenvolvimento da indústria forte no Pará’, conclui.
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Na prática, em laboratório as peças passam por testes para avaliar a estrutura e as dimensões, por exemplo. Isso ajuda a corrigir as falhas no processo produtivo nas fábricas e evita disperdícios. No final, as empresas recebem um relatório sobre a qualidade das peças. ’Controlando o produto através de ensaios contínuos, o empresário pode controlar perdas e retrabalhos, com isso vem a economia de matéria-prima e o menor desgaste dos equipamentos’, enfatiza Humberto José Macias, coordenador do laboratório. Ainda segundo ele, as empresas que não investem na melhoria das peças acabam prejudicando os consumidores finais. ‘O produto em não conformidade com as normas e sem controle implica em perdas para o consumidor, aumentando o consumo em torno de 20% a 30%. Além disso, incide em gastos na obra, como colocação de peças de reposição, consumo de cimento e areia, entre outros’, observa.
De acordo com Antônio Aécio Miranda Lima, presidente do Sindicer (Sindicato das Indústrias Cerâmicas de São Miguel do Guamá), a instalação do laboratório no município ajudou as indústrias não só a oferecerem produtos com mais qualidade, mas contribuiu também para o fortalecimento da mão-de-obra nas empresas. ‘Através da escola do Senai, a indústria da cerâmica também ganhou em termos de qualidade, porque a escola oferece cursos de informática, mecânica e elétrica, além de disponibilizar o laboratório. Mudou da água para o vinho’, explica o sindicalista, ressaltando que atualmente o sindicato tem 50 empresas cadastradas no município e 35 fábricas associadas. Ainda de acordo com Antônio, as indústrias cerâmicas de São Miguel do Guamá vivem um bom momento econômico. ‘A nossa indústria está bem aquecida e deu uma grande alavancada, mas ainda concorremos com os materiais feitos de cimento. Então, por causa disso, estamos procurando saídas viáveis economicamente, como melhor aproveitamento dos resíduos e utilizando outras saídas como o caroço de açaí, que serve como matéria-prima. A indústria da cerâmica vermelha também é a mais viável ecologicamente’, completa ele, destacando que as empresas conseguem escoar 90% da produção mensal.

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CERÂMICA E ARTESANATO DA AMAZÔNIA

DA ARGILA À SALA DE ESTAR: A INDÚSTRIA DA CERÂMICA NO PARÁ
Faça um teste. Observe quantas residências da rua onde você mora ou trabalha que utilizam materiais de cerâmica. São muitas, não é mesmo? Talvez você não saiba, mas pelo menos 90% das residências brasileiras são construídas com materiais de cerâmica como telhas, tubos e tijolos que ajudam na acústica do ambiente e, principalmente, evitam a propagação de calor. No Pará, esses produtos oriundos da cerâmica vermelha são essenciais para amenizar o clima quente e úmido da nossa região. Com o setor da construção civil aquecido no Brasil, a indústria da cerâmica paraense aposta na qualidade dos produtos para ganhar o mercado e desponta como um dos principais polos produtores da região Norte do país.
A indústria cerâmica vive um momento de crescimento, impulsionada pelo novo posicionamento deste segmento, bem como pela atividade da construção civil, especialmente por conta do programa Minha Casa, Minha Vida. É importante ressaltar que num passado recente, as olarias buscaram soluções que elevassem sua competitividade no cenário regional. É vivendo este momento que as indústrias cerâmicas aproveitam para expandir seus negócios. Já estruturado e em processo de consolidação, o polo cerâmico de São Miguel do Guamá tem um potencial fantástico. Sua produção, além de abastecer o nordeste paraense, também chega à região metropolitana, fazendo deste o principal polo produtor do Pará’, explica José Conrado Santos, presidente do Sistema Fiepa (Federação das Indústrias do Estado do Pará). Ao ORM News, ele também destacou outro benefício econômico do setor. ‘O custo da biomassa é infinitamente menor que o da madeira e seu poder calorífico é bem mais expressivo’, completa.

No início de agosto, o Estado recebeu o 43º Encontro Nacional da Indústria de Cerâmica Vermelha, que foi realizado no Hangar – Centro de Convenções, em Belém. Durante quatro dias, o evento discutiu soluções, inovações e proporcionou a realização de negócios no setor, demonstrando a importância da indústria cerâmica paraense para o país. ‘Nossas indústrias têm todo o potencial para competirem de igual com aquelas localizadas em outras regiões. Ao meu ver, para que o Pará se torne um importante polo produtor do país, é preciso que sua produção não só receba incentivos que aumentem sua competitividade, como também que a administração pública atente para a importância de abrirmos um corredor logístico com melhores condições para o escoamento da produção’, aponta José Conrado.
 
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